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sábado, 27 de julho de 2013

TENDENCIAS CONTEMPORÂNEA SÓCIO EDUCACIONAL

O processo de mudanças por que vem passando a atual sociedade constitui-se uma realidade jamais vista na história da humanidade. As mudanças decorrentes do avanço da ciência e da tecnologia constituem-se fator que ameaça o indivíduo e grupos e ao mesmo tempo provoca a necessidade de uma permanente busca de renovação. Esse processo exige que o cidadão esteja constantemente revendo e reformulando seus saberes, a sua forma de atuação social e, especialmente, a sua contribuição produtiva para comunidade. Exige que o cidadão reconheça e pratique seus deveres e direitos políticos, de forma consciente.

As transformações técnico-científicas e organizacionais verificadas no cenário internacional indicam tendências peculiares em todos os setores. No setor educacional são muitas as demandas advindas e, nesse, a educação profissional é vista como um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento. Nesse sentido, a definição pela oferta de um curso de formação de professores que são os formadores (em todas as áreas) tem um significado institucional muito importante.

O mundo do trabalho mudou. Mudaram-se a organização dos empreendimentos produtivos, as tecnologias, as formas de gerenciamento da produção, as relações que se processam na realização das atividades, a organização espacial dos empregos. Mudaram-se os requisitos exigidos aos cidadãos produtivos – empreendedores e trabalhadores. Mudaram-se, assim, as exigências relativas à formação de professores  que atuam em todos os níveis e modalidades de ensino.

Acredito que precisamos situar-nos, todos, para sermos capazes de dirigir novos olhares para o novo mundo que aí está. Precisamos, então, construir novas propostas, sob um novo paradigma, entendidas como o compromisso do grupo, aquilo que os membros da comunidade partilham, pois a forma de conceber e orientar a oferta da educação decorre da orientação, do grupo responsável pela ação. Essa não é uma tarefa solitária.
Conforme Thomas Kuhn, o paradigma “(...) indica a constelação de crenças, valores, técnicas, etc. partilhadas pelos membros de uma comunidade”. É o corpo teórico maior que define e orienta ações de um campo de atuação.

Os paradigmas variam conforme a posição conceitual do grupo, conforme o compromisso que assumem – com o quê e com quem se está comprometido:Com a formação cidadã aluno? Com a politecnia? Com determinada empresa ou grupo? Com que tipo de sociedade? Com a inclusão social?
Muitas são as perguntas que precisam ser feitas e respondidas quando se trabalha com educação e essas – perguntas e respostas - pressupõem a compreensão relativa a determinados conceitos comuns, usuais nessa área, dependentes da perspectiva política de quem os utiliza.

 Formar um Professor significa prepará-lo para manifestar na sociedade aquilo que ele é: uma pessoa portadora de atitudes, de valores, de conhecimentos, de habilidades intelectuais/motoras/sociais e capaz de desenvolver aptidões e realizar funções específicas do magistério.

Um evento de formação de professores não pode significar, apenas, a preparação para a realização de tarefas didáticas. Deve ser muito mais que isso, deve significar a oportunidade para que o aluno possa  compreender as dinâmicas sociais e produtivas que se processam na sociedade, hoje globalizada, com as conquistas e com os reveses e contradições que essas têm gerado. Deve significar a preparação para o exercício autônomo, crítico e criativo que possibilite a capacidade de investigação e a busca de soluções, de respostas para questões teóricas e práticas da vida cotidiana do magistério.

A desigualdade social que tem origem na desigualdade econômica, no ambiente das relações que se processam entre as classes sociais, determina as condições materiais e de trabalho das pessoas. Essas condições determinam as diferenças que elas possuem para o acesso à cultura, à educação. A classe que detém o poder econômico possui, também, os meios de comunicação, de produção cultural e de difusão da cultura.

 A tendência é, portanto, a de colocar todos esses meios a serviço de seus interesses. Desse modo, a classe minoritária, mas dominante, difunde e justifica a sua própria concepção do mundo, suas ideias, seus valores e práticas que pretende para a vida, para o trabalho, para as relações sociais. O modo de difundir e justificar ideias é a estratégia utilizada pelo capitalismo que utiliza um sistema educativo constituído por escolas, igrejas, agências de formação, clubes e pela mídia para repassar a sua ideologia. Esses meios utilizados possuem importante influência sobre o modo de pensar de toda a sociedade, de todas as classes sociais que a compõem. Assim, historicamente no Brasil, a educação que os trabalhadores recebem visa a prepará-los para um trabalho alienado, para atitudes conformistas, para uma educação deficiente, de segunda categoria.

Desenvolver uma educação alienada não é o papel de uma escola que cumpre a sua função de educadora. A esta cabe a contribuição efetiva de formar o cidadão capaz de transformar a si próprio e o seu meio. Educar para a cidadania deve significar, na realidade, o desenvolvimento de uma práxis de Educação na cidadania. (Rubem Alves p. 15).

A cidadania não pode ser separada da questão do poder, que precisa ser socializado, pelo alargamento das formas de participação.

 A educação para a cidadania se processa no exercício da cidadania, no campo de conflitos, tais como a possibilidade ou não de democracia, na participação no poder, na igualdade política numa sociedade capitalista, baseada na desigualdade social e econômica (Arroyo - p. 61).
Existe distância entre igualdade social e liberdade política e isso se deve à privatização do poder, em todas as instâncias, inclusive na escola.

 Posso até dividir/distribuir o pão, o agasalho, mas não o meu poder.
 Não se pode mais vincular cidadania apenas à consciência, ao saber, aos valores culturais da elite. A cidadania pressupõe, também, condições materiais de existência, formas de produzir a vida material, relações sociais da produção de forma justa. E isso não é uma tarefa fácil.

A responsabilidade da escola é muito grande. A ela cabe a escolha da concepção de vida e de sociedade que pretende desenvolver. Ao tempo em que desenvolve os objetivos e demandas da sociedade, deve sempre observar a que interesses ela está atendendo com as propostas que realiza.

À escola cabe assegurar o direito de todos a uma Educação de qualidade, desenvolvida de modo a assegurar o domínio de conhecimentos, habilidades, atitudes, desenvolvidos com a formação de capacidades intelectuais de um pensamento autônomo, independente e criativo.

Assim orientado, o processo educativo necessita de um redimensionamento porque, privilegiando a globalização econômica - capitalista ou não - constrói a ideia de que existe uma única possibilidade de modernização, de organização societal e de conduta humana (Oliveira p. 11) e o que se verifica é a incapacidade de inclusão social de todos, mantendo e até acentuando as desigualdades existentes.

O capitalismo privado ou o estatal (por exemplo, o Chinês) subsume tudo aos seus interesses, determinando o quê e o como será feita a preparação dos futuros profissionais de modo a atender seus interesses econômicos, quase sempre, em detrimento da dimensão individual e social do trabalhador. Para garantir os lucros que pretende auferir, o capital estabelece os paradigmas, as “competências” desejadas e as suas formas de relação com o trabalho, sem considerar necessidades e interesses maiores.

Assim, o capital apropria-se, de forma explícita e/ou implícita, dos novos conceitos educativos e determina o quê e como deve ser feito, subordinando o trabalho de muitas escolas que agem alienadamente.
 O capital estabelece como recurso estratégico para sua dominação o emprego dos conceitos de competência e de empregabilidade (....). Esses conceitos, ao serem largamente utilizados na arena educacional, produzem uma desestruturação da educação no que se refere à possibilidade de se forjar, pela prática pedagógica, cidadãos devidamente comprometidos com uma nova ordem social. (Oliveira, pág 87).

Aos educadores cabe a tarefa de garantir uma educação sem dicotomias, uma escola que articule igualmente o conteúdo teórico e prático para que o aluno possa, no futuro, dispor de conhecimentos, habilidades e atitudes diversas que lhe permitam, em melhores condições, exercer a sua cidadania, na qual se inclui a participação produtiva, profissional. Quando se fortalece a dicotomia entre educação teórica e a prática profissional, compromete-se a formação de cidadãos integrados à sociedade, à vida política brasileira.
O futuro profissional que se pretende formar não pode ser preparado apenas para a “realização de tarefas”, a educação deve aspirar a um cidadão consciente, um profissional crítico, autônomo, capaz de articular-se, de forma includente, com o modelo globalizado.

Para isso, a escola deve ser um lugar de socialização democrática dos conhecimentos historicamente produzidos, uma resposta às investidas do capital, articulando meios, novas práticas educativas na busca de cidadãos participantes, questionadores, sensíveis e comprometidos com o que se passa no mundo e com as outras pessoas.

 As dificuldades que se encontram para construir esse projeto não podem ser impeditivas para as ações. Elas devem representar desafios na constituição de uma nova história.

É importante que se tenha clareza de que a oferta de educação é uma atividade complexa e por isso precisa ser crítica e muito consciente. Ela é complexa, sobretudo, quando são consideradas as contradições e controvérsias advindas de demandas do processo produtivo. Essas, nem sempre, são compatíveis com o compromisso político da educação que busca a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, com a inclusão da parcela populacional, historicamente, alijada das benesses produzidas.

O nosso compromisso deve ser refletido e muito consciente. Não podemos mais, de forma alienada, contribuir para a subordinação da escola ao capital, mantendo e aprofundando as desigualdades sociais.

 O capitalismo já mostrou que não constrói uma sociedade eficiente, justa, equilibrada e que preserve o meio ambiente. O socialismo mostrou que não constrói uma sociedade utópica, nega a liberdade individual e destrói o meio ambiente, também. A saída é o educacionismo, escola igual para todos. Para mim, o que faz a revolução não é tomar o capital do capitalista e dar para o trabalhador. É colocar o filho do trabalhador em uma escola igual à escola do filho do capitalista. ¨(Senador Cristovam Buarque, em entrevista ao Correio Braziliense do dia 18/9/08.)

A educação não tem poder para resolver os problemas econômicos decorrentes desse modo de agir do sistema econômico, mas pode contribuir:
  • Conhecendo o contexto em que se insere, para promover o diálogo social (e nele incluir-se) valorizando todos os pontos de vista nele existentes;
  • Fortalecendo a racionalidade ética frente à racionalidade tecnológica;
  • Potencializando o uso crítico e social das tecnologias;
  • Buscando meios de fazer com que o trabalho educativo guarde ou encontre condições para incluir os que hoje são excluídos.
  • Contribuindo para a conscientização do aluno como indivíduo e ser social, sempre atento às possibilidades e limitações existentes;
  •  Ajudando o aluno a preparar-se como ser produtivo em si mesmo, na defesa da sua liberdade, sua capacidade de agir de maneira auto-referencial em vez de identificar-se com determinado tipo de empresa.
A educação não precisa colocar-se contra a abertura mundial da produção e dos intercâmbios, mas deve contribuir para a existência de uma nova forma de mundialização que não esmague os interesses locais, as minorias, o meio ambiente em proveito apenas de quem já detém a riqueza, o poder, a influência.
Enfim, podemos contribuir oferecendo, a todos, a oportunidade educacional que cada um necessita e que essa seja uma escola de qualidade. Assim, faz-se necessário que estejamos sempre atentos.
Diante dessas constatações, vários desafios se fazem presentes para nós. Já é hora ou já passou da hora de reunidos buscarmos respostas e juntos construirmos as soluções necessárias.
“Sonho que se sonha só é só um sonho.
Sonho que se sonha junto é realidade”.
Raul Seixas
ALVES Rubem. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 2001.
OLIVEIRA, Ramon de. A (des)qualificação da educação profissional brasileira. São Paulo: Cortez. 2003

terça-feira, 23 de julho de 2013

O ANTIGO TESTAMENTO



Muitos séculos antes de o primeiro autor hebreu escrever uma palavra em um manuscrito de pele de carneiro, contadores de história preservaram a épica história dos israelitas.

Relatos da criação, Noé e o Dilúvio, a Torre de Babel e a longa caminhada de Abrão a Canaã eram passados oralmente de geração a geração.

Os contadores de história talvez tenham sido as pessoas mais velhas da famílias, os líderes comunitários, ou apenas pastores com extraordinários dons de memória e recitação.

Entre os hebreus, tinham-se em grande conta os contadores de história, pois eles narravam não apenas a crônica de uma nação, mas a história da relação de Deus com seu povo eleito.

Seus relatos passaram a ser tão conhecidos que os ouvintes queriam que eles os recontassem da mesma maneira todas as vezes.

Ninguém sabe quando as histórias da Bíblia começaram a ser escritas. Mas Moisés é o primeiro hebreu que a Bíblia identifica como autor.

Depois que os israelitas do Êxodo atravessaram o mar Vermelho, rechaçaram um ataque dos amalequitas. Disse, então o Senhor a Moisés: “Escreve isto num livro, para servir de monumento, e faze-o ouvir a Josué”. Ex. 17.14.

Se essas palavras eram entendidas pelos israelitas como sagradas, a Bíblia não diz, mas os textos que se seguiram nos meses e anos posteriores certamente o eram.

Quando Moisés desceu do monte Sinai com os Dez Mandamentos, escritos nos dois lados das duas tábuas, trazia nas mãos “a obra de Deus, como era a escritura, que estava gravada nelas” Êx. 32.16.

Depois, quando os israelitas acampavam no sopé da montanha, Deus deu a Moisés um conjunto detalhado de prescrições segundo as quais os hebreus deviam viver.
Esta lei mosaica, acha-se enredada nas histórias do êxodo, Levítico e Números, depois resumida no Deuteronômio.
Escreveu pois Moisés esta lei, e a entregou aos sacerdotes filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do Senhor, e a todos os anciãos de Israel” Deut, 31.9.

OS CINCO LIVROS DE MOISÉS

Segundo a tradição judaica, Moisés escreveu os cinco primeiros livros da Bíblia, incluindo as histórias do Gênesis, que passaram centenas de anos antes de seu nascimento.
Embora nenhum dos cinco livros identifique seu autor, a autoria de Moisés prosseguiu incontestada até o século XVII. Mas, mesmo nos tempos antigos, estudiosas da escritura detectaram indícios de que Moisés talvez não tenha sido o único autor da coletânea de cinco livros conhecida como Pentateuco.

Entre estes indícios, o mais óbvio é que Deuteronômio termina com uma descrição da morte e enterro de legislador.

O filósofo inglês Thomas Hobbes, no século XVII, tornou-se o primeiro de que se tem registro a declarar que Moises provavelmente não escreveu a maior parte dos cinco livros.

Teólogos apoiaram essa ousada afirmação, compilando indícios que sugeriam que muitos profetas e sacerdotes orientados por Deus tiveram participação na escrita.
Argumentaram, por exemplo, que a repetida frase “até hoje” do pentateuco parece uma referência óbvia a um tempo muito posterior àquele em que ocorreram os fatos – provavelmente uma referência do período em que os hebreus reuniram uma extensa série de fontes que se referiam a Moisés e compilaram o que se tornou conhecido como os Cinco Livros de Moisés.
O início provável do trabalho nestes livros – a história mais antiga dos hebreus – foi depois do estabelecimento de Israel como nação, durante o reinado do rei Davi, que começou cerca de 1000 a.C.
O pentateuco foi adquirindo sua forma final, enquanto os escribas do palácio e os sacerdotes do templo registravam a continuação da história de sua nação.
Músico escreviam salmos de louvor e dor; estudiosos reuniam preciosas citações de sabedoria para os jovens, profetas pregavam a Palavra de Deus. Muitas destas palavras faladas e escritas integraram a liturgia hebraica e foram abraçadas pelas pessoas como os textos dos hebreus: a futura Bíblia.

REDESCOBRINDO A LEI

Como e quando essa memória e revelação se tornaram as escrituras sagradas dos judeus continua sendo um mistério.

Um marco histórico, contudo, foi o dia em que um sumo sacerdote descobriu um pergaminho há muito esquecido, durante a renovação do templo 350 anos de Salomão, em cerca de 620 a.C. o pergaminho pode ser uma versão do Deuteronômio, um resumo das leis judaicas no pentateuco, pois o sacerdote disse: “ Eu achei um livro da Lei na casa do Senhor” II Rs. 22.8.
O rei Josias ordenou que o documento fosse lido em público para todos os anciãos hebreus. Depois iniciou uma vigorosa reforma nacional em que depôs sacerdotes pagãos e destruiu santuários idólatras.

Um segundo marco histórico na criação da Bíblia hebraica veio 160 anos depois, quando uma nova nação judia começou a erguer-se das cinzas de uma terrível derrota. Retornando do exílio na Babilônia, uma escassa comunidade de judeus congregou-se em meio às ruínas queimadas de Jerusalém.

Ali, “Disseram a Esdras escriba que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel” Ne. 8.1 – os cinco livros tradicionalmente atribuídos a Moisés – ou pelo menos partes dispersas que continham as leis judaicas.
Os exilados de volta a Israel tinham motivos para acreditar nas palavras: a lei mosaica adverte que, se os israelitas desobedecessem, o Senhor enviaria invasores e “te espalhará por todos os povos desde uma extremidade da terra até os seus fins” Deut. 28.64. Sendo assim, os exilados de volta a Israel temiam que pudesse acontecer de novo.

Os judeus dividem sua Bíblia em três partes: a Lei, ou Torá; os Profetas; e as Escrituras.

Estudiosos acham que os judeus aceitaram seu cânone bíblico atual em estágios, a começar com a Lei, logo após o trágico exílio na Babilônia.
Talvez a leitura de Esdras, por volta de 458 a.C., tenha formalizado esse estágio inicial. Nos séculos seguintes, o povo passou a reverenciar os oito livros dos Profetas: Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Profetas Menores reunidos em um único rolo de pergaminho.

Por volta do ano 180 a.C., o autor do deuteronômio de Sirac mostra que os Profetas eram vistos como sentenciosos: fala repetidas vezes dos livros da Lei e dos Profetas, junto com outros livros.
Por volta do ano 100d.C., os judeus aceitaram os 11 livros das Escrituras: Salmos, Provérbios, Jó, Cântico de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras-Neemias em um único rolo de pergaminho e I e II Crônicas em um único rolo de pergaminho.

No início do primeiro século cristão, antes de o cânone judeu ser estabelecido, Jesus descreveu as escrituras de Israel como “tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” Lc. 24:44, dando a entender que nem todas as Escrituras foram reconhecidas. Mas talvez a prova mais forte de que a Bíblia hebraica evoluiu aos poucos esteja na Septuaginta, a antiga tradução grega das escrituras hebraicas, que deve seu nome aos 70 eruditos judeus que, em meados de 200a.C., traduziram o Pentateuco para o grego.

Ao longo dos dois séculos seguintes, outros livros dos judeus foram paulatinamente acrescentados até a Septuaginta incluir todo o Antigo Testamento atual – e mais. Os outros livros, escritos entre 300 a.C., e 70 d.C., passaram depois a ser conhecidos como Apócrifos.

POVO DO LIVRO

Quando Roma esmagou a revolta dos hebreus em 70 d.C., destruindo Jerusalém e o templo, exterminou o sistema sacrificial no qual se construiu a fé judaica. Sem o templo – que jamais foi reconstruído – não poderia haver sacrifícios nem sacerdócio. Os judeus voltaram-se para suas escrituras e tornaram-se um povo do Livro, e este livro é a Bíblia hebraica.
Havia um problema: o Livro tinha muitos textos contestados e muitas versões. Assim, os judeus resolveram estabelecer quais textos e versões eram autorizados e se decidiram por 24 livros. (Os cristãos mais tarde dividiram esses mesmo 24 livros em 39, separando os livros de Samuel, Reis, Esdras-Neemias e Crônica em dois cada, e os doze Profetas Menores).
O exemplar mais antigo da Bíblia hebraica é o Códice de Leningrado de 1008, copiado por escribas chamados Massoretas. Este e outros massorêticos tornaram-se as edições oficiais em que se baseia a maioria das traduções modernas.
Os Manuscritos do Mar Morto, a biblioteca de uma comunidade do deserto, destruída pelos romanos em 68 d.C., continham manuscritos mil anos mais antigos que os textos massoréticos, incluindo fragmentos de rolos inteiros de todo livro do Antigo Testamento, com exceção de Ester.
Entre estes tesouros antigos, descobertos em 1947, encontra-se um pergaminho de Isaías copiado cerca de 100 a.C., O texto hebraico, como o de outros descobertos em grutas próximas ao mar Vermelho, revelou-se semelhante aos massoréticos – forte indicação de que as escrituras judaicas vinham-se padronizando por volta do século I a.C, e que escribas posteriores preservaram as palavras sagradas com extraordinário cuidado e reverência.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

ETIÓPIA


Segundo a tradição, o cristianismo chegou à Etiópia por meio de um jovem náufrago proveniente de Tiro, chamado Freumêncio, que conquistou a confiança do rei etíope e foi educador do príncipe. 

Ao assumir o trono, o príncipe declarou o cristianismo a religião oficial do seu reino. A Igreja Ortodoxa Etíope foi fundada em 332 d.C., por Santo Atanásio. Com o advento do islamismo no século VII e suas investidas militares, a Etiópia ficou isolada do resto no império romano do oriente (Império Bizantino), estreitando suas relações apenas com a igreja de Alexandria (Egito).

 Mesmo assim, o cristianismo continuou como a religião preponderante ao longo da história do país. Por suas relações mais próximas da igreja egípcia, a igreja etíope aderiu à liturgia copta ortodoxa.

 A cada ano a igreja cresce em aproximadamente um milhão de membros, a maioria resultante de nascimentos em lares cristãos.

A constituição prevê a liberdade de religião, tendo outras leis e políticas contribuído para a prática livre da religião em geral. 

O governo de modo geral respeita a liberdade religiosa na prática, no entanto, ocasionalmente algumas autoridades infringem esse direito. Tensões localizadas entre as comunidades muçulmana e cristã resultaram em alguns episódios violentos. 

Através de vários programas cívicos, o governo tentou combater a violência sectária. A perseguição durante o regime marxista de Mengistu Haile Mariam (1974-1991) foi bastante severa, mas diminuiu consideravelmente após a queda do regime, em 1991. Em 1997, a igreja protestante testemunhou uma oposição radical exercida por muçulmanos, cristãos ortodoxos e pelo governo. A Igreja evangélica é a que mais sofre, por ser a minoria. 

Ela é monitorada pelo governo e não goza dos mesmos direitos que os ortodoxos ou muçulmanos, pois são consideradas seitas. A Etiópia é um dos casos em que a igreja persegue os adeptos da sua própria fé. Apesar disso, a igreja etíope cresce em ritmo acelerado; a atual atmosfera de liberdade tem favorecido a oportunidade de evangelização no país.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ERITRÉIA



Todas as igrejas evangélicas estão fechadas desde uma lei em 2002. Mais de 2.800 cristãos estão na prisão, e seus familiares não têm notícias deles há meses e anos.

O cristianismo chegou ao país em 34 d.C., através de um tesoureiro do reino de Sabá, mas foi difundido com mais eficiência e rapidez no século IV d.C. O cristianismo ortodoxo é o mais praticado pelos eritreus: outros grupos cristãos, como católicos e protestantes, só chegaram ao país após 1890 com o domínio italiano. Os cristãos são basicamente ortodoxos e quase inteiramente da etnia tigrínia. As igrejas evangélicas estão crescendo, mas são limitadas em recursos para treinamento e evangelismo. 

O governo exige que os grupos religiosos se registrem, mas não aprova nenhum registro, desde 2002, além dos quatro principais grupos religiosos: a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja (luterana) Evangélica da Eritreia, o Islã e a Igreja Católica Romana. Os demais grupos religiosos não têm permissão para se reunir ou atuar livremente no país e quando o fazem são perseguidos.

Os cristãos estão sofrendo a pior perseguição de toda a história da Eritreia. A Constituição de 1997 prevê liberdade religiosa, no entanto, ela ainda não foi implementada. Assim, não é permitida a distribuição de Bíblias no Exército e nas escolas. Desde setembro de 2001, foi suspensa definitivamente toda impressão de materiais religiosos (papéis e livros devocionais ou particulares etc.). Desde maio de 2002, todas as igrejas evangélicas estão fechadas por ordem do governo e precisam de autorização para funcionar. 

A prática de prender aqueles que se reúnem ou exercem qualquer outra atividade religiosa sem a autorização do governo já causou a prisão de mais de dois mil cristãos. Eles são mantidos em condições desumanas, presos em contêineres de metal ou em celas subterrâneas. Os evangélicos não têm personalidade jurídica e, até agora, os registros para suas igrejas não foram concedidos. Atualmente, a igreja evangélica reúne-se ilegalmente nas casas. 

O governo controla as escolas que eram cristãs e reluta em registrar outras. Em 2002, o governo do presidente Isaías Afworki fechou as 12 igrejas protestantes independentes da Eritreia, proibindo suas congregações de se reunir até mesmo em casas. Desde então, pastores, soldados, mulheres, adolescentes, crianças e idosos foram presos quando surpreendidos em uma reunião, lendo a Bíblia e orando em grupos. 

O estado reconhece somente quatro instituições religiosas "históricas" no país, a saber: o islamismo e as igrejas ortodoxa, católica e luterana evangélica. Dois líderes-chave da Igreja do Evangelho Pleno, uma das maiores denominações pentecostais da Eritreia, foram presos às seis horas da manhã de 23 de maio de 2004, em suas casas, em Asmara. Durante as detenções, os policiais confiscaram as chaves dos gabinetes pastorais, ameaçando verbalmente suas esposas. Haile Naizgi, que exerce o cargo de presidente da Igreja do Evangelho Pleno e o Dr. Kifle Gebremeskel, como presidente da Aliança Evangélica na Eritreia, estão presos em Asmara sem nenhum contato com suas famílias ou visitantes. 

Na mesma época, uma cantora cristã eritreia também foi presa, em uma operação do Ministério da Defesa, apesar de ter cumprido seu serviço militar e nacional obrigatório. Helen Berhane era membro da Igreja Rema e havia lançado um CD que se tornara popular entre os jovens. Ela não atendeu às exigências: assinar um documento renegando sua fé em Cristo, prometendo não cantar mais, não compartilhar sua fé em Cristo e não realizar quaisquer atividades cristãs na Eritreia. Por isso, Helen ficou presa até o início de 2007. Ela saiu do país clandestinamente naquele ano e conseguiu asilo na Dinamarca, onde mora com sua filha. Há mais de uma década, a Eritreia declarou que todos os grupos cristãos que não pertencessem às igrejas oficiais do governo não podiam funcionar de maneira nenhuma. Até o momento, o governo aprisionou milhares de cristãos. Muitos deles ainda permanecem sob custódia, sem nunca terem ido a julgamento para definir sua situação. Estima-se que 16 pessoas morreram este ano nas prisões, devido a doenças, tortura e desnutrição.