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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PSICODIAGNÓSTICO DA APRENDIZAGEM


INTRODUÇÃO

A psicopedagogia é uma área de conhecimento cujo objeto de estudo é o sujeito cognoscente, isto é, o sujeito que constrói seu saber. Sua atuação foca o processo de aprendizagem humana, não apenas no âmbito escolar, ou restrito a uma determinada fase de desenvolvimento do indivíduo, visto que a aprendizagem é um processo contínuo que ocorre em todos os espaços ou lugares, em diferentes momentos e situações, durante toda a existência do ser humano.
O processo de aprendizagem não configura uma estrutura, se deve mais à sua função e modalidade do que à sua assimilação a uma construção teórica coerente.
Se for uma estrutura de articulação de esquemas do processo de aprendizagem associado a outras tarefas teóricas coincide a um momento histórico cuja engrenagem se preocupa epistemologicamente ao materialismo histórico à teoria piagetiana da inteligência e à teoria de Freud que instaura a ideologia operante e o inconsciente.
A mesma atividade assimiladora concilia as descrições para demonstrar a formação de reflexos condicionados instrumentais e sensório-motor.
A modalidade assimilativa de toda cognição, implica simultaneamente um aspecto de experiência ou a manipulação do meio, que tem relação com a estruturação de suas ações.
Torna-se três tios de conhecimento as formas hereditárias programadas previamente ao conteúdo informativo no qual o indivíduo atuará, as formas lógico-matemáticas que se constróem os estados de equilibração por coordenação progressivas das ações que se cumprem com os objetos. Em terceiro o das formas adquiridas da experiência que fornecem ao sujeito informação sobre o objeto e suas propriedades.
Toda ação é ação que permite uma correta leitura da experiência do ponto de vista biológico da epistemologia genética a uma aprendizagem em sentido amplo de uma atividade estruturante que resulta na construção das estruturas operatórias em tal atividade que permita o conhecimento por assimilação a estas estruturas que permitem uma organização inteligível do real.


A DIMENSÃO COGNITIVA DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM


Considera conveniente diferenciar os tipos de aprendizagem:
A do sujeito que adquire uma nova conduta adaptada pelos ensaios mais ou menos arbitrários do sujeito;
A da regulação que rege as transformações lógicas do pensamento cada vez mais equilibrada em conjunto com a aprendizagem estrutural corrigindo as hipóteses que surgem da manipulação dos objetos;
A dimensão social do processo da aprendizagem considera dois pólos: ensino-aprendizagem onde constitui o processo educativo.
Através dela o sujeito histórico exercita uma cultura particular, na medida em que fala, reza segundo a modalidade de seu grupo de pertencimento.
Educar consiste então em ensinar, no sentido de mostrar, de estabelecer sinais, de marca como se faz o que pode ser feito, através de ação desenvolvida e reprimida que o sujeito incorpora uma representação do mundo, ao qual por sua vez se incorpora e se sujeita.
A aprendizagem garante a continuidade do processo histórico e a conservação da sociedade, tendo em vista que toda transmissão de cultura supõe uma amostra, uma seleção de modalidades de ação.
O processo de aprendizagem como função do eu, se dá através da educação à civilização manter a pulsão e aproveitar sua energia em obras culturais sem riscos de ser perdido. O pensamento associativo permite resolver a pressão dos impulsos ao oferecer às demandas pulsionais que levam a satisfações substitutivas, entre a necessidade e o desejo, o adiamento que supõe o trabalho mental.
Podemos considerar que a aprendizagem reúne num só processo a educação e o pensamento, já que eles possibilitam no cumprimento, do princípio da realidade.
Freud, se baseia numa resignação da capacidade de frustração, que caracteriza a saúde do ego para quem é essencialmente frustração e se o ego é uma instância que submete, resigna, convém tomar este vocábulo no sentido de “voltar a significar” que permite conformação de ser frustrado.
O interesse deste ponto de vista é a atenção prestada ao reverso da aprendizagem, ao que se oculta quando se ensina, ao que desprende quando se aprende.
A interpretação dos diversos níveis de aprendizagem se evidencia a dificuldade de compreendê-la como objeto científico. Já que não se dá a nível teórico e sim no fenômeno. É o sujeito aprendendo que pertence a um grupo social particular de ser definido estruturalmente por meio de materialismo dialético determinado e cumprindo uma continuidade funcional para cumprir o destino de outro, que possa resolver esta coincidência individual como uma construção, que dela se aproxime paulatinamente.


CONTRIBUIÇÃO DE ACONSELHAMENTO PSICOPEDAGÓGICO (link de Piaget e Freud)

Desde que entrelaçamos a cognição de Piaget e o complexo de Édipo, com um enfoque psicopedagógico, tendo em vista a dimensão do processo de aprendizagem de Sara Paín, podemos fazer outra leitura, que nos proporcionará elementos para compreender a gênese do problema de aprendizagem. Este tema merece uma detida análise, que não o faremos neste momento somente que Édipo “não sabe” quais são os seus verdadeiros pais; desconhece que aqueles que se mostram como seus pais são o são. O desconhecimento está ocupado por um falso conhecimento. Quer dizer aqui não está atuando a falta, a função positiva da ignorância, como dinamizadora da busca do conhecimento, já que um falso conhecimento está obturando o saber.
A justificativa do aconselhamento psicopedagógico indica alternativa de solução e os benefícios a serem alcançados com a execução do mesmo. Destaca-se que as Dimensões do processo de aprendizagem por si só, já se justifica, tendo em vista que o as mesmas constituem a “cartilha” da escola. É nela que estão contidas as orientações e diretrizes de todas as ações educacionais que são os objetos de estudo da psicopedagogia que busca encontrar a relação do sujeito como o conhecimento e o significado do aprender.


CONDIÇOES INTERNAS E EXTERNAS DE APRENDIZAGEM

Afinal, para compreender os processos de ensino e aprendizagem no indivíduo é necessário acompanhar o meio em que está inserido e as influências que ele exerce. Estes são antigos paradigmas que, até a chegada de Piaget, serviam como referência para entender os mecanismos da Educação. Pelo simples fato de que, no início do século XX, com uma teoria até então revolucionária, ele identificou que a constituição do conhecimento do sujeito não dependia apenas da ação do meio ou de sua herança genética, mas também de sua própria ação.
Em outras palavras, a teoria de Piaget mostra que o sujeito inativo e submisso não é "ator" e, neste caso, a estimulação de um professor por si só, por exemplo, não produz nada. Além disso, mostrou que a herança genética tampouco é transformadora sem a ação do próprio indivíduo em questão. Embora possa parecer grego, são idéias do suíço que, há muito tempo, pregava a, hoje, difusa idéia de que o indivíduo deve atuar como sujeito de seu conhecimento.
A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Isto é, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e, após isso, uma assimilação. Desta forma, o equilíbrio é, então, alcançado.
A forma de raciocinar e de aprender da criança passa por estágios. Por volta dos dois anos, ela evolui do estágio sensório-motor - em que a ação envolve os órgãos sensoriais e os reflexos neurológicos básicos, e o pensamento se dá somente sobre as coisas presentes na ação que desenvolve - para o pré-operatório. Uma nova progressão ocorre por volta dos sete anos, quando ela passa para o estágio operacional-concreto e consegue refletir sobre o inverso das coisas e dos fenômenos e, para concluir um raciocínio, leva em consideração às relações entre os objetos. Por fim, por volta da adolescência, chega ao estágio operacional-formal, em que pensa em coisas completamente abstratas, sem necessitar da relação direta com o concreto.
A condição interna depende do indivíduo e a externa depende do estimulo, isso é o equilibrio caso contrário haverá um desprezar uma insatisfação.
Essas condições fazem referencia a três planos o primeiro é o corpo como infra-estrutura neurofisiológico (corpo e mente), o segundo refere-se à condição cognitiva da aprendizagem (conhecimento de aprendizagem) e o terceiro plano as condições internas de aprendizagem que está ligada a dinâmica do comportamento.
O PROBLEMA DA APRENDIZAGEM: FATORES

Os problemas de aprendizagem são aqueles apresentados por indivíduos que, no geral, possuem dificuldades no âmbito escolar, uma vez que é lá que ocorrem várias avaliações do seu desempenho.
Tais problemas são manifestações leves, e por isso mais aceitáveis, de patologias de aprendizagem, ou seja, propícias ao atendimento mais imediato.
A teoria sobre o assunto ainda tem lacunas e o atendimento clínico, por esse motivo, tenta superar esse obstáculo quando do atendimento do indivíduo que apresenta a dificuldade no aprendizado. O déficit de aprendizagem ainda não tem seu surgimento determinado pois é representado pela junção de vários fatores.
Por estar em desequilíbrio, o sujeito naturalmente passa por dificuldades até atingir um ponto ideal de busca do conhecimento.
Porém há fatores inconscientes que levam esse sujeito a não aprender: como a busca de atenção diferenciada em casa, com os pais ou responsáveis. Obviamente trata-se de apenas um aspecto de uma gama infinita de possibilidades.
Há, ainda, razões de origem orgânica que caracterizam a dificuldade motora, por exemplo e nesse caso deve-se estimular a criança a superá-la canalizando seu esforço para o “caminho” em que ela apresente menor dificuldade para percorrer, compensando o problema.
Para que o diagnóstico seja feito a contento existem fatores importantes a considerar.
O primeiro fator - o orgânico - deve ser investigado para que não se perca o foco do atendimento, ou seja, é um fator primordial posto que dele derivam-se muitos aspectos que propiciam patologias responsáveis pela dificuldade no aprender.
Um criança que não vê normalmente se sentirá incapaz de absorver o conhecimento uma vez que acaba dependendo dos outros para obter as informações da sala de aula (está-se referindo à criança que ainda não teve sua “deficiência” detectada e devidamente acompanhada). A audição também é fator decisivo no aproveitamento escolar e a investigação neurológica é indicada para investigar problemas no sistema nervoso.
Há, também, o problema glandular que é responsável até pelo comportamento dos indivíduos. Seu rendimento pode cair drasticamente se alguma glândula apresenta problemas no funcionamento.
Deve-se considerar outros aspectos como: a alimentação, as condições de habitação, do descanso etc. pois estes influenciam nas capacidades física e psíquica para o aprender.
Todas essas características não são fatores determinantes no problema de aprendizagem, pois muitos indivíduos as superam por meio do equilíbrio e da busca de outros caminhos; mas são fatores que merecem atenção especial.
Já os fatores específicos dizem respeito às características de dificuldades de aprendizagem que parecem ter origem orgânica, mas não podem ser comprovadas como tal.
Não há como investigar a causa de um determinado problema se não há dano aparente.
A lateralidade, por exemplo, não apresenta “marcas” passíveis de comprovação quando o sujeito tem dificuldades de se expressar graficamente. Principalmente quando é forçado a fazer uso da mão direita (no caso de um canhoto) e confunde a direção da escrita.
A dislexia se enquadra neste fator e poder ser tratada de forma a reeducar o sujeito, buscando alternativas que o levem a superar o problema.
Os fatores psicógenos são abordados por Freud em “Inibição, sintoma e angústia” (1925), onde a inibição é a diminuição da função; o sintoma é a transformação de tal função. Enquanto os sintomas não são processos que se passam no ego, a inibição dá-se no “nível egóico”.
A inibição aparece também “como uma particularidade do fenômeno neurótico”, ou seja, causa aparentemente duas reações opostas. Uma delas é a repetição da ação que causou um trauma e a outra é o evitar por completo o contato com o fator traumático.
Este fator leva em consideração os problemas ocorridos durante a aquisição do conhecimento e não os aspectos de “conservação e disponibilidade”, levando-se em conta as disposições orgânicas e o ambiente em que o sujeito está inserido.
Portanto deve-se investigar a operação de um modo geral, sem deixar que nenhum aspecto relevante seja esquecido.
Finalmente o fatores ambientais têm sua importância quando vistos como “determinantes no diagnóstico do problema de aprendizagem” no sentido de influenciar o grupo a que o sujeito pertence (seus valores, suas ideologias), bem como nas possibilidades de crescimento pessoal proporcionadas por esse ambiente, se há o incentivo na busca de oportunidades ou se há a estagnação da dinâmica social imposta pelo grupo ou por indivíduos considerados superiores ou mais capazes.

CONCLUSÃO

Penso que, a Dimensão do processo da aprendizagem, fundamenta-se em quatro pilares de aprender a conhecer:
  • Aprender a aprender para beneficiar-se das oportunidades oferecidas;
  • Aprender a fazer – no âmbito das diversas exigências sociais;
  • Aprender a viver juntos, a conviver, realizar projetos comuns e preparar-se para gerir juntos;
  • Aprender a ser – agir com autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal.
Com isso haverá uma permanente interação entre teoria e a prática, e que a construção do conhecimento refletir o estímulo das atitudes investigativas com e entre os sujeitos envolvidos, levando-os a conceber e agir sobre as oportunidades e apresentar persistência, ser capaz de buscar informações e planejar sistematicamente para usar as estratégicas de poder buscar sua autonomia e confiança.
Portanto, à maneira como Sara Paín discorre a modalidade, leva-me a pensar que reforça as aproximações sucessivas em direção à respostas desejadas, encadeando um método de conectar respostas numa seqüência de comportamentos que sempre haverá um reforçador previamente condicionado no repertório do sujeito. Aplica-se os princípios da teoria da aprendizagem para alterar o pensamento indesejável, mas que comportamentos apenas observáveis.
Conceituar o diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem é empreender uma tarefa árdua. Para que isso acontece há necessidade de uma equipe e nas escolas tanto estaduais como municipais não existem. O que eu pretendo aqui é fazer algumas considerações que representam meu pensamento, meus sentimentos a esse respeito.
O estimulo é uma condição vital para o meio social em que o indivíduo está inserido, segundo Piaget o conhecimento externo depende do interno, o corpo e a mente sempre tem que andar juntos, caso contrário haverá algum agravante na aprendizagem. Para que isso ocorra com êxito tem que haver uma organização como prioridades, espaço, organização entre outros.

A dificuldade da aprendizagem é, ainda, um tema instigante e que guarda inúmeras hipóteses a serem estudadas e comprovadas. Mesmo com toda a sofisticação tecnológica de nossos dias, a ciência tem recantos inexplorados e alguns aspectos da educação aí se incluem.
Todos os fatores mencionados não explicam a totalidade de causas da dificuldade do ser que busca aprender e não o faz plenamente.
Os teóricos têm contribuído para a pesquisa, e suas obras - de valor inestimável – deixam brechas, mesmo que mínimas, no universo de explicações para tal problema.
Se cada indivíduo é uma combinação de fatores que influenciam ativamente em sua cognição, o psicopedagogo necessita de pesquisa constante no campo da dificuldade de aprendizagem, sua área de atuação.
A humanidade vem se desenvolvendo aceleradamente, todos devem se adequar aos tempos modernos, mas como? A exclusão é perversa e fatal. Também há que se levar em conta a falta de interesse em resgatar os “menos aptos”, afinal a competição em vários âmbitos da sociedade não admite nem apresenta opções razoáveis para quem está à margem dessa sociedade.
A educação representa uma “luz no fim do túnel” pois sinaliza com a esperança de, a princípio, amenizar essa diferença e futuramente solucionar o problema. Ao menos é o objetivo, mesmo que utópico, de todos os seriamente envolvidos na área da educação.

BIBLIOGRAFIA


PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. São Paulo. Artmed, 1985.

Por. Prof. José Lopes de Oliveira
Miss. da JMN/CBB em Icém/SP